Social Media

Os Erros de Passos Coelho no Facebook

11 Set , 2012  

 

 

 

A mensagem do fim-de-semana do primeiro-ministro deu que falar além-fronteiras. O prestigiado Financial Times deu destaque e fez uma reportagem sobre a mensagem do Facebook do primeiro-ministro Pedro Passos Coelho. A mensagem do “Pedro” foi interpretada como do primeiro-ministro se tratasse. E não era para ser? Um erro de Social Media!

A mensagem começou por tratar todos por “amigos”, após umas horas do anúncio das novas e “vagas” políticas de austeridade. A mensagem foi publicada no domingo às 0.16 horas, a página ganhou mais de 10.000 likes novos porque não há outra forma de aderir para se poder comentar. A mensagem teve até agora 46.400 comentário e 8.533 likes.
A Mensagem do primeiro-ministro provocou uma onda de fúria, ansiedade e de angústia nos utilizadores, que se vingaram através dos comentários negativos.

1.º Erro
Ideia de dois Pedros
Pedro Passos Coelho representou o papel do pai de família e tentou colocar-se ao lado dos cidadãos. Escreve que fez “um dos discursos mais ingratos que um primeiro-ministro pode fazer” e sustenta que Portugal é “um exemplo de determinação”.
Pedro Passos Coelho não se pode dissociar do papel de primeiro-ministro. A figura pública é a mesma da do “Pedro”. Numa página institucional do Facebook os fãs não se podem considerar amigos. Temos os utilizadores que estão alinhados com o pensamento da marca ou da pessoa pública, temos os seguidores passivos, mas também temos os que se associam e fazem likes para poder criticar a ou deixar a sua crítica.

2.º Erro
A Confiança:
Os Social Media oferecem a possibilidade de competir-se na comunicação e complementar o que não se diz nos meios de comunicação tradicionais, por isso é uma lufada de ar fresco quando bem tratado. O que não aconteceu.
Os novos meios de comunicação oferecem benefícios, mas exigem uma grande dinamização das várias redes e interação com os utilizadores, sem nunca se desviarem do seu público-alvo. O público-alvo nas redes sociais pode tornar-se uma tribo ou em comportamento tribal. Apesar de se saber que atingimos públicos que nunca pensávamos atingir.
Muitos utilizadores parecem ignorar as “marcas” quando estas desvirtuam a verdadeira noção de social media, ou seja, a criação de conteúdo em rede, unilateral e constante com os utilizadores que estão online.
Aqui produziu-se conteúdo que não mereceu confiança.
O que tinha sido dito na sexta-feira tinham sido uma comunicação apenas com um sentido, que criou desconfiança nos portugueses, porque houve uma parte a ter de se sacrificar e dos “outros” não ouviu nada.

As redes sociais são conversa, semântica e relacionamentos com os utilizadores. As relações são bidirecionais e não unilaterais como nos medias tradicionais. O que o “Amigo Pedro” fez foi uma comunicação unidirecional e refugiar-se no conforto da casa. Ou seja, provou que não é online como é na vida real. A vida real para o utilizador foi o papel do anúncio das novas políticas de autoridade…no Facebook foi o discurso da mentira.

3.º Erro
O Timing:
No social media há o poder de valorizar ou destruir uma ideia a qualquer momento, quando menos se espera. O tempo é um bem muito escasso. E quem demora muito tempo perde. O perdão é coisa que não existe. Os tempos devem pensados e planeados.
Os utilizadores não são bons com quem não está com total transparência nas redes sociais.
Um dos problemas das marcas ou pessoas públicas em social media é pensar no seu produto (governação) como sua, e esquecer-se do consumidor (cidadão), do utilizador.
As ideias, a governação, os sacrifícios, os benefícios não são para ele, mas sim para o cidadão, apesar de o ser também. Mas o cidadão não pensa assim!
Os assessores do primeiro-ministro deviam ter pensado: Se eu fosse um cidadão que utilidade tinha esta mensagem? O primeiro-ministro tem de vestir a roupa de cidadão e antecipar o ruído que pode vir a ter tanto a comunicação que fez aos portugueses na televisão, como na mensagem que pretendia escrever no Facebook.
Será que há notoriedade suficiente neste momento para continuar com a página?

4.º Erros
O Conteúdo:
Com a quebra de barreiras físicas, a Internet proporcionou o acesso mais fácil e rápido à informação, que antigamente era dominada e controlada por alguns.
Os cidadãos ganharam mais poder e começam a tomar decisões que influenciam decisões. Os utilizadores influenciam a reputação do primeiro-ministro, influenciam e são influenciados por outros utilizadores.
O social media possibilita que se fomente a discussão em torno dos conteúdos. Há uma inteligência colectiva em torno do conteúdo que pode influenciar o desenvolvimento e a credibilidade da própria pessoa ou marca.
Com o social media a reputação de Pedro Passos Coelho, primeiro-ministro, foge ao controlo das suas espectativas e dos seus assessores. As ferramentas de social media promovem o diálogo, a partilha, a discussão, a crítica, o convívio social, a sugestão.
Os utilizadores foram influenciados pela mensagem que receberam offline através do televisor e reagiram no online.

Os utilizadores online discutem online o que é melhor para eles.

A perda de controlo do primeiro-ministro na criação de informação é devastadora e criou este imbróglio e esta mixórdia de comentários devastadores para um primeiro-ministro.

Importa não esquecer o Público-Alvo. Em Social Media torna-se difícil definir o público-alvo porque a nossa comunicação é transferida de utilizador em utilizadores e é partilhada por públicos que podem não ser o nosso. A comunicação aqui é bidirecional e há sistematicamente diálogos sobre a nossa partilha.
Deve Pensar na Criatividade: A criatividade faz parte das redes sociais. Criamos todos os dias, o nosso público cria e ajuda a desenvolver ideias. É participativo.
Monitorização: O conteúdo deve ser pensado e repensado na altura da definição da estratégia de social media. Sabemos que, cada vez mais, há utilizadores que “despejam” o seu rancor nas redes sociais.
Isto foi o que aconteceu. Quando se pensou na mensagem não se mediu a repercussão e o risco da publicação para a notoriedade de Pedro Passos Coelho e do próprio Governo.
Interação: Evite os problemas e seja criativo com soluções e com ideias felizes. Devemos estar sempre a lutar contra a “onda”.
Neste caso, valeu mais o silêncio. Nem uma mensagem de resposta…

Nota: Sr. Primeiro-Ministro evite por uns bons tempos o Facebook. Utilize o Facebook quando a energia for positiva. Pense na estratégia e aja a seguir com um bom plano elaborado de social media.

Informação de última hora: Hoje, Nogueira Leite, acaba de apagar a sua página e depois reativá-la após vários comentários sobre um texto que publicou a afirmar que se pirava do país por causa dos impostos. A gestão do Facebook no seu melhor!

Fundador do Blogue MediasSociais – a nova tendência, experiência em Jornalismo, Formação em Comunicação Empresarial e Pós-Graduação em Marketing & Banking Social Media no ISGB. Autor dos eBook’s Toolkit de Social Media Marketing e Pensar Social Media.

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