Gestão

Não Faça Nada…Seja Líder

5 Jul , 2014  

A imagem de um bom chefe é aquele que elabora estratégias, coordena a equipa, faz planeamento e… não faz nada. Por incrível que pareça, “Não faça nada!” é o título do último livro de J. Keith Murnighan, professor da Universidade de Gestão Americana, Kellogg. Estrategicamente…Não faça nada, seja líder.

Keith Murnighan afirma que é possível conquistar grandes objetivos e merecê-los, apenas a observar a equipa a trabalhar. Mas para isto, torna-se necessário deixar de lado na atividades da gestão, a falta de confiança no talento dos subordinados e os hábitos centralizadores, que muitas das vezes atrofiam quem trabalha por perto.

A obra começa com uma hipótese: Como seria, se após as férias, nesta precisa altura em que estamos, um líder encontrasse a sua equipa a todo o vapor e com conquistas que nunca tinha alcançado antes? Teria chegado à conclusão que estrategicamente…não faça nada… tinha alguma lógica e sentia-se fora da sua zona de conforto?

Murnighan responde. “Para a maioria das pessoas, a realidade é que o líder nunca tira três semanas seguidas de férias e, mesmo se o fizesse, leva o smartphone, tablet, portátil, para verificar o que está acontecer no escritório”.

Este cenário de dependência mútua entre equipa e líder deverá mudar com a chamada “lei da liderança”. Ele afirma no livro “Pense primeiro na reação desejada e depois decida as ações que você pode realizar para maximizar as hipóteses de ocorrência dessas ações”.

Para pôr a lei em prática deve-se elaborar as estratégias de trás para frente. Numa sequência de diagramas, o autor do livro sugere que o objetivo seja visto e analisado primeiro e, depois, o último passo que devemos dar antes de o concretizar e assim, sucessivamente.

Não faça nada

Normalmente, como podemos não saber com clareza qual deve ser o nosso próximo passo, devemo-nos concentrar em qual deveria ser nosso último passo e decidir o que podemos fazer para chegar lá, antes da nossa meta.

Uma boa liderança requer uma equipa em que o “todo é maior que a soma das partes”, uma inspiração da psicologia da Gestalt. Esta doutrina traz em si a conceção de que não se pode conhecer o todo através das partes, mas sim as partes por meio do conjunto. A união destas sensações gera a perceção. É muito importante, nesta teoria, a ideia de que o conjunto é mais que a soma dos seus elementos.

Na psicologia, o estudo da perceção é de extrema importância porque o comportamento das pessoas é baseado na interpretação que fazem da realidade e não na realidade em si. Por este motivo, a perceção do mundo é diferente para cada um de nós, cada pessoa percebe um objeto, pessoas ou uma situação, de acordo com os aspetos que têm especial importância para si própria. Estrategicamente… Não Faça Nada!

O todo é maior que a soma das partes. Porquê? Como é que isso se faz?

Através de cinco tipos de valores:

  1. O exemplo dos gestores;
  2. A capacidade de não ter receio de atrair os melhores (em detrimento da escolha de yes men).
  3. Ter um foco constante no desenvolvimento das pessoas;
  4. Apostar na cultura da exigência, do mérito e da excelência;
  5. Potenciar ao máximo as potencialidades de cada um;
  6. Reconhecer os êxitos/empenho das pessoas.

Voltando a Murnighan, a ideia é que essa ferramenta facilita a vida do líder na hora de decidir como, quando e para quem delegar cada trabalho a ser realizado.

No entanto, tem de ter confiança no talento da equipa, nunca terá uma equipa se a perceção que chegar aos seus membros não for de confiança. Senão, o caminho do líder tende a ser em falso. “Sem dúvida é melhor confiar mais do que menos”, afirma Murnighan. Como exemplo dá uma simples compra online: se confiamos o nosso dinheiro em alguém que não conhecemos do outro lado do mundo, prque não confiar na nossa equipa?

Pessoas e acompanhamento

A gestão de pessoas requer a observação do comportamento e dos relacionamentos. Os líderes devem olhar mais para atividade da equipa do que para as próprias atitudes… o Autor aconselha a “Não faça Nada!” O que se ganha? Provavelmente os elos de confiança tornam-se próximos e estreitos o que dá resultados confirmados.

Os líderes que não se dedicam às equipas e que não dedicam tempo a conhecer bem os seus membros ou que violam a “Lei da Liderança” concentrando-se nas próprias ações em vez de enfatizar as reações da sua equipa, cometem erros irreparáveis.

Esta teoria de componente humana traduz-se num certo afastamento dos números, objetivos e metas. Para Murnighan, isso vem depois… as energias do gestor devem estar concentradas na evolução e aprendizagem da equipa.

“Os líderes eficientes realizam muito mais quando se concentram na formação dos membros da equipa e ignoram as metas de desempenho.”, Afirma Murnighan. Há maiores resultados ao nível da eficácia e da eficiência. Experimente!

Fundador do Blogue MediasSociais – a nova tendência, experiência em Jornalismo, Formação em Comunicação Empresarial e Pós-Graduação em Marketing & Banking Social Media no ISGB. Autor dos eBook’s Toolkit de Social Media Marketing e Pensar Social Media.

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