Social Media

Facebook: Os Dois Mundos do Mural

2 Set , 2014   Video

Saber viver com os dois mundos, o real e o dos murais é o que torna a análise das redes sociais complexa. Devemos ou não confiar em tudo o que aparece no mural? Mark Zuckerberg não tem culpa, o Facebook ou qualquer outra rede social é feita de pessoas que se organizam em comunidades, em forma de tribo, com quem partilham os seus conteúdos, emoções, viagens e saberes, que valem muitos milhões em base dados para as empresas.

Antigamente falava-se de “calhandrice”, hoje fala-se de redes sociais, como o Facebook que fixa o seu target nas grandes massas.  Como Zuckerberg, o Facebook não tem culpa, ele é feito de utilizadores.

Há dias que o mural está repleto de mensagens como estas que, naturalmente, se partilham apenas com os amigos… “estou com frio neste dia sol”, que te “adorei xuxu”, “bora aí”, “Estou no Paraíso… com uma…”, “estou numa corrida”, “que grande noite soada” Bora lá”, “bom dia amigos”… etc, etc… As mensagens sucedem-se todas nesta toada de enigmas e mentiras. Depois vêm as fotos, umas despidas de sentido, outras de locais que nunca imaginaram visitar… mas os likes, esses sucedem-se a uma velocidade vertiginosa.

As vidas nas redes sociais de grandes massas têm destas coisas. O que se mostra, não tem nada a ver com a nossa realidade, por detrás de um grande sorriso está a amargura, por detrás de uma festa está a angústia, por detrás de uma foto com um novo amigo, está no subconsciente um outro que se deixou na vida real.

É de facto impressionante, as potencialidades das redes sociais! Conseguem ter tudo o que tinha os lugarejos da “calhandrice”, feita de rumores e boatos, muitas das vezes alimentadas pelas próprias personagens das “calhandreiras”. Mas será que há fumo?…

Faraaz Marghoob, diretor na Saatchi de Londres, escreveu um pequeno livro sobre os benefícios e a influência potencialmente prejudicial do Facebook.

LEIA TAMBÉM: 10 erros a evitar no Facebook, Facebook: Somos amigos ou inimigos? e Falhas de Privacidade no Facebook.

No entanto, não posso deixar de refletir todos os dias, se estamos a caminhar ao ritmo das redes sociais, se estamos a aprender com os erros e ao mesmo tempo com o entusiasmo e a alegria que muitas vezes se partilha a informação.

Há todos os dias exageros online, refletidos nos feeds de notícias, que não se passam na vida real.

Será que os utilizadores estão a utilizar o Facebook para descarregar a ira e a revolta, a paixão, o amor, o enamoramento, a sexualidade e a rebeldia que não têm em casa? Será este o lado negativo, talvez pela falta de maturidade dos utilizadores? Como sabemos, as redes sociais são muito recentes. Saberemos que repercussão terá um determinado like num determinado conteúdo ou fotografia, ou sobre um determinado assunto?

O Facebook tem uma dimensão impressionante, é uma ferramenta com enorme potencial para as pessoas e empresas, mas sinto, e já por aqui ando desde 2009, que é um espetáculo que vale o valor que pagamos por ele… Mas tem um potencial enormíssimo ao nível das relações pessoais e empresarial, mas está a tornar-se num vazio de banalidades, que cada vez mais preenchem as vidas do seu público.

Após a minha última análise, concluo que há vidas cheias de nada. Os dois mundos parecem que se confundem, com tanto irrealismo e tanta necessidade de vender imagens irreais, falsas de pudor, que ter um amigo deixou de ser uma bênção da vida.

Agora passou a ter-se uma nova geração de amigos, os imediatos, os do número a somar aos muitos que não se conhece, mas que conseguiram ganhar, como de um troféu se tratasse.

Este mundo do online é perigoso. – Era mais puro, o da “calhandreira”, onde os amigos eram uma bênção da vida e os conhecidos apenas sabiam o que se queria. Hoje em dia, as vidas são uma revista cor-de-rosa à venda nas prateleiras de qualquer quiosque, mesmo na mó de baixo.

No livro que vos referi, os utilizadores entrevistados comparam o Facebook e o seu efeito sobre a sociedade igual à pílula na década de 1960. O sentido tribal dá-nos plena liberdade e felicidade e é um quebra-regras.

Neste mundo globalizado e ao mesmo tempo tão distante de tudo, as redes sociais permitiram reencontrarmos as nossas raízes e estarmos todos tão perto uns dos outros como nas tribos.

Dos mil jovens entrevistados, uma minoria significativa considera essencial gerir o seu perfil e a sua atitude online com cuidado, mas a maioria concorda que a rede social é o reflexo da sua vida real, portanto não têm com que se preocupar.

Chega-se, então à seguinte conclusão: Os utilizadores estão a usar o Facebook como campanha publicitária própria, porque eles são umas celebridades. O Mundo das celebridades está no Mural. Nos dois mundos do Mural?

Fundador do Blogue MediasSociais – a nova tendência, experiência em Jornalismo, Formação em Comunicação Empresarial e Pós-Graduação em Marketing & Banking Social Media no ISGB. Autor dos eBook’s Toolkit de Social Media Marketing e Pensar Social Media.

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